quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Descaso...

Até parece piada. De mal gosto, obviamente. Se não bastasse a ausência de infra-estrutura, saneamento básico, lazer e precariedade no que tange o transporte público, a população freqüentadora do CEU Navegantes, do distrito do Grajaú, extremo sul da capital paulistana, foi informada pela Vigilância Sanitária do município de São Paulo, que a alimentação oferecida aos alunos estava sendo preparada sem as condições mínimas de higiene.

Foi encontrada grande quantidade de coliformes fecais no leite para crianças de até 01 (hum) ano, no achocolatado, e até na água “filtrada”.

O governo do democrata Gilberto Kassab somente agora, seis meses após a confirmação das primeiras irregularidades, proibiu a empresa SISTAL de licitar ou prestar serviços ao município. A escola atende 2.000 (dois mil) alunos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Seriam os piratas da Somália heróis?

A pirataria na costa somali até pouco tempo atrás era vista como mais um ato localizado de bandidagem inconseqüente num fim de mundo qualquer, mas cresceu e se desenvolveu a ponto de virar um problema internacional sério. Navios que atravessam o golfo de Áden, vindos da Europa, em direção aos mercados asiáticos (ou vice-versa) precisam passar por ali. Cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo utiliza essa rota. Cargueiros com armas, tanques, comida e combustível passaram a sofrer ataques de lanchas com jovens armados até os dentes, que costumam manter tripulações como reféns por semanas e meses.

Desde o ano passado, a situação se agravou a ponto de as marinhas de países europeus e dos EUA passarem a patrulhar com maior freqüência a região. A pirataria parece ter diminuído um pouco, mas está na cara que é um paliativo apenas. Uma solução duradoura nos mares só vai emergir quando se encontrar uma solução duradoura em terra (a Somália é um caos sem governo e sem lei).
"Em 1991, o governo da Somália se desintegrou. Seus nove milhões de habitantes têm enfrentado a fome desde então – e as piores forças do mundo ocidental viram isso como uma grande oportunidade para roubar a oferta de comida do país e desovar nosso lixo nuclear em seus mares", diz o texto do articulista Johann Hari, do "The Independent". Sua teoria sustenta-se que a pirataria começou – e em larga medida se mantém - como um movimento de autodefesa das populações ribeirinhas somalis, contra esses dois fatores: o uso das águas costeiras como depósito de lixo nuclear e a pesca sem critério que retira do país uma de suas únicas fontes de riqueza.

“Tão logo o governo somali se foi, navios europeus misteriosos começaram a parecer na costa da Somália, jogando grandes barris no oceano. A população costeira começou a ficar doente. Primeiro, sofreram coceiras estranhas, náusea e deformação fetal. Então, após o tsunami de 2005, centenas de barris vazando apareceram nas praias. Pessoas começaram a sofrer doenças de radiação, e mais de 300 morreram”. O texto cita uma pesquisa de um site somali mostrando que 70% da população aprovam o uso de pirataria como uma forma de autodefesa.
“Nós queríamos que os famintos somalis esperassem passivamente em suas praias, nadando em nosso lixo tóxico e observando enquanto nós pegamos seu peixe para comer em restaurantes de Londres, Paris ou Roma?”, pergunta o jornal.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

É dos raçudos que elas gostam mais, por José Roberto Torero

Amável leitora, você prefere sair com um bonitão, que tem a cara do George Clooney, mas que não se importa muito com você, ou com um sujeito de feições comuns, mas que lhe faz uma canja especial quando você está gripada?

E você, leitor, gostaria mais de namorar com uma bela e fria modelo, daquelas que deitadas ficam mais paradas que manequins de loja, ou com uma mulher de feições normais que fizesse coisas de corar o pessoal de Gomorra?

Acho que a maioria dos leitores e leitoras escolheu, fácil, fácil, as segundas opções. E isso acontece ainda mais profundamente no futebol. Nestes tempos de profissionalismo, em que cada jogador fica apenas um semestre no clube, é raro ver um atleta que se identifique com o time, que lute os noventa minutos, que se emocione em vestir sua camisa, que aprenda seu hino, que olhe a tabela de classificação na segunda-feira para ver como está o campeonato.

Por isso estamos vivendo uma era de valorização dos raçudos.
Sim, hoje os raçudos são um artigo de luxo. Antes eram mais comuns que uísque paraguaio e eletrônico chinês. Hoje tornaram-se um produto raro. Coisa chique. Tanto que às vezes são até importados.

Antigamente você sabia que o jogador daria tudo de si, pois ele, para o bem e para o mal, pertencia ao clube e sua vida estava definitivamente ligada a ele. Hoje, não. Com este rodízio de pizza que é o mercado de jogadores, um atleta pode ir embora antes mesmo de saber o nome porteiro.

A torcida sente isso e busca se identificar com os jogadores que têm a cara do time, que parecem se esforçar mais do que o simplesmente profissional. Pergunte a um palmeirense o que ele acha de Pierre e ouvirá adjetivos exagerados num tom carinhoso. Pergunte a um corintiano qual a saída que ele mais lamentou, se a de Christian ou a do selecionável André Santos, e ele derramará lágrimas de saudade pelo volante. Pergunte a um santista se ele não acha que Madson está mais para um dos sete anões do que para jogador de futebol e comprará uma briga.
Nestes dias de frieza, aqueles que se empenham mais que o normal estão se transformando nos xodós da torcida. Atualmente é dos raçudos que elas gostam mais. E há poucos por clube. Um ou dois. No máximo três. Eles atraem o amor dos torcedores como gotas de Fanta Uva derrubadas na pia atraem formigas (o exemplo não é muito poético, mas aconteceu comigo ontem).

Qual destes dois ex-centroavantes os palmeirenses mais amam: Kléber ou Keirrison? A resposta é óbvia. Para os alviverdes, Kléber é um guerreiro capaz de derramar seu sangue pelo clube. Já Keirrison não passa de um prenúncio de cuspida.

Se jogassem hoje em dia, talvez Batista fosse mais amado que Falcão; Dudu mais adorado que Ademir da Guia, Rondinelli mais aclamado que Adílio.

Por isso, caro jogador, deixo-te um conselho. Caso sejas um daqueles atletas de estilo tão aristocrático que parecem estar jogando de smoking, fica na várzea. Só lá eles te saberão dar valor. Por outro lado, se não tens medo de deslizar na lama, de chocar tuas canelas com as do adversário, de correr como um desvairado e de chorar copiosamente nas derrotas, busca um grande time. Eles precisam de ti.

sábado, 11 de julho de 2009

Carta da Frente de Defesa do Povo Palestino

"Aos torcedores do Corinthians,

A Frente em Defesa do Povo Palestino, que reúne mais de 50 entidades da sociedade civil brasileira, apoia e vê com muitos bons olhos a ida do Corinthians à cidade palestina de Ramallah, na Cisjordânia, para participar de jogo contra o Flamengo. Levar o esporte para uma zona de conflito e território ocupado, onde seus habitantes não têm garantidos seus direitos fundamentais, é uma iniciativa louvável.

A Cisjordânia – ao lado da faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental – permanece ocupada pelo Estado de Israel desde 1967, uma ação ilegal, como reconhece a própria ONU (Organização das Nações Unidas). Ali, as crianças não podem estudar ou jogar bola livremente, pois, além de correrem riscos, são submetidas a bloqueios e mesmo toques de recolher que buscam determinar o curso de suas vidas. Mesmo assim, admiram e conhecem os jogadores brasileiros, que podem trazer alguma alegria a vidas em que a normalidade do cotidiano tem sido roubada.

Acreditamos que, além disso, o jogo Corinthians x Flamengo pode voltar os holofotes para o problema palestino e pressionar a uma solução justa. Assim, pleiteamos a que não permitam que a direção do clube ceda a eventuais pressões para que o mesmo jogo ocorra também em Israel, o que seria como igualar opressor e oprimido. E impedir que o futebol – que já parou até guerra – cumpra sua função social de fato. A torcida do Corinthians tem um papel importante para que seu time, que historicamente tem sido o time da massa, que prima pela democracia e liberdade, se recuse a jogar em Israel, enquanto este mantiver a ocupação criminosa sobre os territórios palestinos, que tem feito milhares de vítimas".
*****
É óbvio que o inicial interesse à promoção da partida entre Corinthians e Flamengo na Palestina não partiu das respectivas diretorias futebolísticas envolvidas; aproveitaram a proposta do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que tem o objetivo de instituir jogos de futebol com o propósito de busca paz - que inclusive já contou com Brasil x Haiti, em 2006, no Haiti - e já tramam ações de marketing que possam envolver as "estrelas" Ronaldo e Adriano. Mas, ao mesmo tempo, revela a relação e o imenso horizonte que o futebol exerce sobre a sociedade, muito mais abrangente que o medíocre discurso dos pseudointelectuais que relegam o esporte bretão a, simplesmente, ópio. O futebol, principalmente após o momento em que deixa de ser uma atividade ociosa e exclusiva de uma porção das elites urbanas e passa a prática popular, sobretudo a partir da década de sessenta, quando se dá o surgimento das torcidas organizadas a colorir as arquibancadas e instigar a paixão, o compromisso e a festa, selou seu comprometimento com os espaços construídos e utilizados coletivamente, além da esperança de ver no lazer um momento diferenciado de questionamento dessa realidade de construção de identidades sólidas.

sábado, 4 de julho de 2009

Após a conquista corintiana...

Por Frank Maia, chargista "A Notícia", de Joinville.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Progresso?, por Ricardo C. Rocha

Sempre fui um torcedor de acompanhar jogos no estádio, mas também sempre tive prazer em assistir aos jogos pela televisão, pela experiência de analisar as partidas por todos os ângulos possíveis, os detalhes de cada jogada, a magia dos replays, coisas que só são possíveis devido à infinidade de câmeras que as emissoras utilizam nas coberturas esportivas.

Com a era digital, essa sensação está maximizada, pela qualidade nas imagens e dos aparelhos de LCD e Plasma.

Tudo seria uma maravilha, não fosse um pequeno detalhe: a variedade de tecnologias para transmissão de jogos vem fazendo com que a experiência de assistir jogos pela TV esteja cada vez menos emocionante.

Parece um paradoxo, mas não é: basta observar que em cada lance de perigo (ou de gol efetivamente) aparece algum vizinho vibrando antecipadamente.

Seria um visionário? Um vidente? Ou um simples telespectador com sinal de TV aberta ou analógica?

O sinal que vem da TV a cabo (ou via satélite, como a Sky), demora cerca de 2 a 3 segundos a mais para transmitir a imagem.

Pode parecer insignificante, mas para o futebol, é uma eternidade. Na quarta feira passada, estava em um bar com uns amigos, e havia uma única TV captando sinal aberto da Globo (enquanto as demais transmitiam o jogo via cabo).

Qual não foi a minha surpresa, quando alguns torcedores já gritavam “Gooool” enquanto o Marcelo Oliveira ainda nem havia cruzado a bola para o Jorge Henrique!

E na disputa pelo “mais ao vivo dos ao vivos”, o rádio leva imensa vantagem, por não necessitar da decodificação de sinal que os aparelhos receptores de TV a cabo necessitam.

Sorte daqueles que viveram na era do rádio, onde o gol acontecia ao mesmo tempo para todos, e cada um tinha sua própria imagem mental de um gol, que ficava mais ou menos bonito de acordo com quem o estava contando.

Provavelmente, muito mais bonito do que qualquer câmera da atualidade possa captar...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quanta hipocrisia...

Mais uma vez os caucasianos “civilizados” querem interferir no continente africano. Agora, têm intenção de proibir as Vuvuzelas – cornetas – bastantes comuns nos estádio de futebol da África do Sul, com a prerrogativa de que o objeto está atrapalhando a concentração daqueles que cultivam e enriquecem em demasia, através do esporte bretão.

Jornalistas holandeses e americanos, em cobertura da Copa das Confederações, torneio preparatório para a Copa do Mundo, chegaram a formalizar um protesto à FIFA, órgão máximo do futebol, cuja finalidade seria banir as Vuvuzelas dos estádios, com a alegação de que o instrumento não permite boa comunicação entre os profissionais da comunicação e organização do evento. Alguns canais de televisão, inclusive, têm manipulado a opinião pública, com argumentos de que as pessoas podem bater umas nas outras com o utensílio sonoro, que é de plástico. Ao mesmo tempo, alguns jogadores também aderem à controvérsia, como Xabi Alonso, volante espanhol, e Robinho, atacante do Brasil, que julgam a proposta da torcida africana impraticável, pois perturba e causa confusão quanto à comunicação em campo.

Diz o torcedor Mokaba Thekeli, em Pretória: “A Vuvuzela é a alma do torcedor de futebol da África do Sul; não podem tirar ela dos estádios".

Os jogadores, imprensa, comitê organizador etc., devem se adaptar às Vuvuzelas e as demais manifestações culturais existentes em África. Lá, as expressões são externadas principalmente por meio da música, da dança, dos sons, com significativa vivacidade e alegria, diferentemente da sobriedade e frieza dos costumes burgueses europeus. Chega de interferência, de manipulação. Respeito às práticas culturais!

Se a preocupação dos publicistas, desportistas e arranjadores da ordem estivessem relacionadas à possibilidade da violência entre os torcedores, porque ninguém discute a obrigatoriedade da venda de bebidas alcoólicas nas portas dos estádios, por determinação contratual da Budweiser, patrocinadora oficial da FIFA, já que está comprovado que homens bêbados quando estão em bando, em geral, procuram por briga?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Bolsa Família, o maior programa de distribuição de renda do mundo!

Macarrão, dona Rosa só veio conhecer aos 20 (vinte) anos, no casamento de uma prima, em Barra de Santa Rosa, sertão paraibano. Seus filhos, Isabel e Pedro, entretanto, desde crianças, comem macarrão. Comem também arroz, feijão, cuscuz e até carne. Tudo com os “míseros” R$ 102 mensais, frutos do benefício oferecido pelo maior programa social do mundo, o Bolsa Família, principal vitrine da situação, liderada pelo ex-sindicalista metalúrgico e atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Nobel da Paz, o bengalês Muhammad Yunus, juntamente a outros críticos nacionais do programa, afirmam que o projeto possui caráter assistencialista e eleitoreiro, pois não oferece uma perspectiva real de emprego e independência gradativa do benefício; não atinge a maioria necessitada em detrimento da assistência àqueles que teoricamente precisam menos, em função de uma fiscalização ainda ineficiente; não garantem a permanência das crianças e adolescentes nas escolas, condição que garante a manutenção do projeto, também em virtude de uma censura ruim; em tese desestimularia pobres a buscar trabalho formal, visto que, afinal, já recebem o benefício sem trabalhar etc.

Ao mesmo tempo, porém, apontam os favoráveis, que a assistência reduz a pobreza, a desigualdade e a fome. Segundo o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), a desnutrição infantil caiu 50% de 1996 a 2006. O índice é ainda maior no Nordeste, já que lá foram investidos 53% dos recursos. Além disso, promove a emancipação feminina, que corresponde a 94% dos beneficiários; o controle desses recursos faz com que as mulheres gerenciem o lar. A economia local também é favorecida, pois distribuir renda ao invés de comida proporciona o direito de decidir o que comprar. Seu Carlindo, dono de um mercadinho em Cumaru, Pernambuco, diz: “aqui, o que mais sai é comida, mas às vezes alguém pega uma latinha de aguardente”. O programa também estabelece condições que promovem diretamente outros modos de qualidade de vida, como acompanhamento nutricional às gestantes e crianças até sete anos; obrigatoriedade ao pré e pós natal; imposição de acompanhamento quanto à vacinação e garantia de que estas tenham freqüência escolar mínima de 85%.

Cícero Péricles de Carvalho, economista, em reportagem à renomada revista inglesa The Economist, que publicou o estudo “Economia Popular – Uma Via de Modernização para Alagoas” fez uma conta simples: “Cerca de 1,4 milhão de alagoanos recebem, por ano, R$ 380 milhões do Bolsa Família. O que representa para a economia de Alagoas? Muito. Basta comparar com o corte de cana. Neste ano, haverá uma safra de 30 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Cada tonelada de cana cortada paga R$ 3 ao trabalhador, um total de R$ 90 milhões. Toda a massa salarial gerada no corte da cana representa menos de uma quarta parte do Bolsa Família”.

Contudo, essa pobreza combatida pelo projeto é relativa, pois está comprovado que o valor do benefício melhora a vida dos brasileiros nordestinos e nortistas residentes em geral, mas se mostra insuficiente àqueles que vivem nas regiões metropolitanas da região sul do Brasil. De acordo com um levantamento de preços realizado no mês de setembro/08 pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o valor da cesta básica nas regiões metropolitanas das regiões Sul e Sudeste chega a ser 39,5% maior que no Norte e Nordeste. Assim, se em Recife custa R$ 167,76, em São Paulo o preço é R$ 234,68.

O programa, no princípio, chegou a considerar a possibilidade da criação de linhas de pobreza diferentes para o campo e para as áreas metropolitanas. A hipótese, segundo Rosani Cunha, responsável pela gestão do Bolsa Família do Ministério do Desenvolvimento Social, entretanto, foi descartada, porque acarretaria em um impacto redistributivo de renda menor, já que o montante de dinheiro destinado às regiões centrais e mais ricas seria muito mais elevado que aquele direcionado às pobres e rurais. Assim, além de acentuar a diferença social entre as regiões, linhas de pobreza distintas poderiam provocar um aumento da migração pelo país.

Por isso, algumas capitais brasileiras buscam soluções para esse problema. Em São Paulo e Belo Horizonte, os municípios criaram programas que complementam os recursos do Bolsa Família. Na cidade paulistana, há hoje 80 mil famílias com renda de até R$ 175 por pessoa ao mês que recebem entre R$ 140 e R$ 200 do Renda Mínima da maior metrópole brasileira.

Em Osasco, município da Grande São Paulo extremamente pobre, desigual e violento, a prefeitura oficializou a criação de oficinas de costura aos beneficiários do programa Bolsa Família. Vejam que interessante: Maria Aparecida da Silva Vera, 32, recebia R$ 450 por mês para estudar e aprender a costurar em máquinas profissionais, com o propósito de confeccionar uniformes de alunos das escolas do município. O curso de dois anos acabou e a prefeitura imediatamente a direcionou ao Portal do Trabalhador – um sistema online onde o profissional deixa seu currículo à vista das 1600 empresas cadastradas, que custa à Prefeitura R$ 35 milhões ao ano. Foi assim que se tornou modelista com carteira assinada a R$ 800. Devolveu o cartão do Bolsa Família, reformou a casa, comprou armários, fogão e computador de tela plana ao filho adolescente.

Logo, fica claro que o projeto Bolsa Família precisa melhorar, pois não pode ser o único mecanismo voltado à redução da desigualdade. O desafio deve proporcionar um combate além da fome; deve garantir acesso aos demais direitos previstos na Constituição, por meio da democratização do conhecimento, da informação, do capital cultural, da conscientização e qualificação profissional da população etc. Mas, de qualquer forma, representa a tentativa de “reparação histórica” que, sem dúvida, já é significativo.